Resultado da indústria reflete recuo externo

Para a Fiesp, apenas com efeitos da queda nas exportações, produção industrial vai cair 5,6%

“O IBGE não tem como quantificar exatamente o efeito da perda de mercado externo para a produção industrial, mas é evidente que há um papel relevante das exportações na queda da produção este ano”, diz economista da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) calculou as perdas – levando em conta os dados do primeiro quadrimestre do ano – e concluiu que, apenas com os efeitos diretos da queda nas exportações, a produção industrial nacional vai cair 5,6% em 2009. Juntando os efeitos indiretos (perda da produção doméstica de insumos utilizados nos produtos exportados), o recuo na produção industrial atingirá 8,8% somente pelos problemas com as vendas externas. 

O relatório Focus do Banco Central divulgado ontem aponta média de projeções para o resultado da indústria este ano com queda de 5,37%, o que mostra que o efeito das exportações será em parte amortizado pelo mercado interno. A projeção da Fiesp é de recuo de 7,5% na produção industrial no ano.

O diretor do Departamento de Economia da Fiesp, Paulo Francini, observa que “felizmente, o mercado interno está segurando um pouco as pontas, mas isso será, provavelmente, insuficiente para compensar as perdas com as exportações. Seria necessário um crescimento muito maior do mercado doméstico”. A projeção da Fiesp de queda nas exportações de industrializados, no acumulado de 2009, é de 35% (em dólares). 

Francini fez um levantamento que mostra que, de forma geral, cerca de 20% da produção total da indústria brasileira são exportados. Em alguns segmentos, como produtos de madeira, a fatia das vendas externas no total produzido chega a 42,7%. Da queda total de 25,5% na produção desse segmento no primeiro quadrimestre deste ano, 20,6% podem ser atribuídos a efeito direto de queda das exportações, que caíram 48% no período.