Saldo comercial é o maior em 30 meses

Quinta-Feira, 02 de Julho de 2009 – O ESTADO DE SAO PAULO

A balança comercial registrou em junho superávit de US$ 4,62 bilhões, o melhor saldo mensal desde dezembro de 2006 (é verdade !!!). O resultado refletiu o forte crescimento das exportações, de US$ 11,98 bilhões em maio para US$ 14,47 bilhões em junho, com expansão das vendas de commodities, principalmente para a China. Já as importações mantiveram-se praticamente estáveis, passando de US$ 9,33 bilhões para US$ 9,84 bilhões no período.


O volume exportado, no entanto, ainda ficou 22,2% abaixo do obtido em junho de 2008 (considerando a média diária), como resultado da retração provocada pela crise global. Já as importações apresentaram queda bem maior, de 38%, espelhando a redução do ritmo de atividade no mercado interno.

O mundo encolheu ! Nós encolhemos ! O resultado semestral (ver abaixo) indica quedas astronômicas nas nossas trocas (nos dois sentidos) com o exterior. Portanto – embora tenhamos exportado menos (-22,2%) – estamos importando BEM menos (- 28,9%).

Este indicador de queda no comércio mundial é dramático e tem sido pouco considerado nas análises que tenho visto sobre a crise. Com a redução do comércio internacional – a esperança de fontes dinâmicas de crescimento econômico dos BRICS recai – em boa medida – sobre os seus mercados internos. E este crescimento só ocorrerá com estímulos fiscais dos respectivos governos.

As consequências destes estímulos já temos observado no início da turbulência nas contas públicas brasileiras.

Com a crise  Sarney – PMDB – PT – Lula – a campanha presidencial se instala e os gastos para eleição do candidato da situação serão intensificados.


Há que se considerar que não estejamos diante de uma recuperação eou retomada da atividade econômica. Pode ser que estejamos diante de uma possível instabilidade e turbulência bastante grande. Somente agora – quase dois anos após o início da crise nos países avançados – seus efeitos começam  a ser sentidos de forma concreta “down below”. A China tem gasto uns trocados e  comprado nossas commodities. Mas isto terá fim – pois ela mesma está debilitada. Acho que o fio da meada – por enquanto – está na boa vontade de dragão chinês.


No primeiro semestre, a balança acumulou superávit de US$ 13,99 bilhões, 23,8% superior ao do mesmo período de 2008. Na primeira metade do ano, as exportações somaram US$ 69,95 bilhões, com queda de 22,2%. As importações totalizaram US$ 55,96 bilhões, uma redução de 28,9%. A queda maior das importações explica o crescimento do saldo.

Segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, houve queda no semestre das exportações nas três grandes categorias de produtos: básicos (7,4%), manufaturados (30,6%) e semimanufaturados (26,9%). 

Com esse cenário, os básicos aumentaram sua participação na pauta brasileira e os produtos industrializados perderam espaço. No primeiro semestre de 2008, os básicos correspondiam a 35,3% das exportações. No fim de junho, já respondiam por 42%. Os produtos industrializados reduziram a sua participação de 62% para 56%. 

Segundo o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, essa mudança decorre do aumento da quantidade exportada de produtos básicos e da estabilidade das cotações. “Os preços das commodities se recuperaram ou se mantiveram ao longo do primeiro semestre”, disse.

Ele disse ainda que já há indícios de recuperação das vendas em vários itens manufaturados. Os embarques apresentaram, em junho, alta de 32,6% em relação a janeiro, o pior momento da crise no comércio exterior. 

Entre os itens que tiveram recuperação, Barral citou açúcar refinado, óxidos e hidróxidos de alumínio, medicamentos, hidrocarbonetos, produtos de perfumaria, torneiras e válvulas, ônibus e obras de plástico.

Houve retração em todas as categorias de importações no semestre. Com a queda dos investimentos, as compras de bens de capital caíram 13,7% ante 2008. As encomendas de matérias-primas e intermediários caíram 32,4% e de combustíveis e lubrificantes, 51,4%. As importações de bens de consumo caíram menos, 7%, por causa das compras de produtos não-duráveis, como alimentos, que subiram 2,9%.