Glauco Arbix, professor do Departamento de Sociologia da USP, ex-presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada)

Glauco Arbix
UOL – Qual a principal consequência positiva do Plano Real até hoje?
Arbix –
Ter introduzido o
Brasil num período de modernidade, em que nós nos afastamos do período de descontrole do país sobre sua própria moeda.

A previsibilidade que uma economia estabilizada permite é muito grande e dá possibilidade de ampliação de investimentos. Já a imprevisibilidade é praticamente incompatível com o investimento. A estabilização favoreceu essa situação, e as empresas brasileiras estão conseguindo se internacionalizar.

Além disso, a rede de proteção social, que é muito sofisticada no Brasil, funciona de determinada maneira com inflação e de outra maneira, sem inflação. Um dos grandes fatores do êxito de um programa como o Bolsa-família na redução da desigualdade é o regime de baixa inflação. Se a inflação comesse 70% dos benefícios do BF, seria muito diferente.

UOL – Qual a maior falha no Plano Real?
Arbix –
O foco na inflação foi exacerbado. Não que a gente deveria ter mais inflação, mas a política macroeconômica não deveria ser apenas voltada para a inflação. Deveria ter sintonia com as políticas de emprego e com o desenvolvimento. Ao longo dos anos 90, não conseguimos fazer isso. Agora, ao longo dos anos 2000, estamos obtendo um equilíbrio muito mais apropriado.

UOL – Qual o futuro do real?
Arbix –
Hoje não tem mais nenhum partido político de peso que defenda que o controle da inflação não é importante. Isso é um ganho político gigantesco. É um elemento que equipara o Brasil a uma série de outros países avançados,
ainda que tenhamos que encontrar um equilíbrio entre controle inflacionário e desenvolvimento.