25/03/2009

O Jornal Valor Econômico e o The Wall Street Journal promoveram, em Nova York, um importante seminário sobre a economia brasileira, para mostrar ao mundo as oportunidades de bons negócios existentes no Brasil neste momento de crise financeira mundial. Uma nota dissonante foi a ‘previsão’ sobre o crescimento do Brasil divulgada na mesma semana pelo ex-quase falido banco Morgan Stanley. Sem nenhum fundamento objetivo, o banco afirmou que o Brasil vai ver seu PIB cair 4,5% em 2009!

Temos hoje o seguinte com relação às ‘previsões’ de crescimento do PIB para 2009: a mais pessimista, menos 4,5%, e a mais otimista, 2%. E o que sabemos de fato? Apenas que o ritmo de crescimento anual que vinha há nove trimestres rodando em torno de 5% a 6% caiu, no último trimestre de 2008, para 1,3%. Consequência do ‘apagão creditício’ importado, por precaução, pelos bancos nacionais. As informações sobre o primeiro trimestre de 2009 são ainda precárias, mas é certo que a ação do Banco Central tem sido sempre atrasada, tímida e equivocada.

Como deve ser evidente, tais ‘previsões’ são meros exercícios de vontade cujo resultado depende da disposição psicológica mais ou menos otimista dos seus autores. Não existe nenhum mecanismo objetivo de ‘previsor antecedente’ aceitável. Na melhor das hipóteses, pode-se estimar precariamente o crescimento do PIB, num trimestre, quando se está na metade dele. O crescimento do trimestre jan./ mar. de 2009 não parece nada brilhante. Será, provavelmente, próximo de zero quando comparado com o trimestre out./dez. de 2008. Isso sugere que quando for publicada a estimativa do crescimento anual do PIB entre o primeiro trimestre de 2009 e o seu homólogo de 2008, ele deverá ser praticamente nulo!

Vai ser um verdadeiro ‘choque’: o crescimento anual no primeiro trimestre de 2008 foi de 6,1% e o do primeiro trimestre de 2009 será muito próximo de zero! Essa informação, entretanto, não nos permite saber o que serão os próximos nove meses. Logo, não podemos saber qual será o crescimento do ano. Para os pessimistas, o País será controlado por um governo e um Banco Central pouco inteligentes e pouco diligentes. Já os otimistas têm a esperança (talvez vã) de que o governo será virtuoso e ativo e o Banco Central, mais inteligente e ousado no uso da sua musculatura.

O crescimento de 2009 será o resultado das ações bem focadas e urgentes tomadas pelo governo e pelas respostas que lhe der o setor privado. É claro que estamos no mundo e sujeitos às restrições externas. Mas é mais claro ainda que antes de tentar salvar o mundo devemos tentar salvar o Brasil, mesmo porque talvez os EUA se salvarão antes de nós.