A possibilidade de termos uma bolha de crédito no Brasil atual é nula. Senão vejamos :

Segundo o Banco Central,

a) o volume total de crédito (empréstimos do sistema financeiro para indivíduos, empresas e governos) no Brasil é 42,6%  do PIB. (nos países avançados este índice é – no mínimo – o dobro)

b) 29,9 % do PIB são créditos livres (cujo destino da aplicação é totalmente liberada aos bancos) e 12,7% são direcionados (cuja aplicação é compulsória em virtude do sistema de captação – ex: caderneta de poupança)

c) somente 17,9% do PIB são destinados às instituições privadas. 16,1% do PIB são direcionados para instituições públicas e 8,7% do PIB para instituições estrangeiras. Portanto – o risco do crédito criar uma bolha no setor privado é bastante baixo.

d) este crédito para o privado tem uma natureza muito definida: crédito de curto prazo e refere-se basicamente a desconto de recebíveis. Portanto, a possibilidade de haver intangíveis como lastro deste crédito é quase nula.

Desta forma – não há como se criar uma bolha  já que a maior parte do crédito é feito em cima de desconto de recebíveis das empresas ou crédito pessoal de curtíssimo prazo. O crédito pessoal de mais longo prazo é o crédito consignado para funcionários públicos cujo risco é quase inexistente.

No passado – quando tínhamos um volume altíssimo do crédito imobiliário tivemos a nossa “bolha” que fulminou o nosso BNH e o sistema financeiro da habitação. A inflação destruiu o valor dos imóveis dados em garantia e acabou com a lógica do SFH. Os estilhaços desta bolha, que ocorreu na década de 80,  até hoje nos atingem.

Outra “bolha” , com a qual convivemos por muito tempo,  foi o endividamento público – que sempre teve grandes problemas de credibilidade e era negociado com grandes descontos e “renegociado diariamente no grito” de acordo com a credibilidade do Ministro da Economia e do presidente do Banco Central de plantão. Não podemos nos esquecer que os títulos da dívida externa brasileira chegaram a valer 17% do seu valor de face em 1993/4 !!!!!!! E que a nos taxa de juros real interna já foi de 25% ao ano (em momentos de pico, até maior d que isto !).

Portanto – defender-se de bolhas sempre foi um esporte praticado pelo cidadão brasileiro. Por causa da nossa irresponsabilidade do passado – aprendemos a nos defender das bolhas e de seus efeitos devastadores. E,  portanto, temos esta  insignificante participação do crédito no PIB. E um crédito com excelente qualidade que representa baixíssimo risco. Um crédito que não cria bolhas pois – embora tenha crescido quase dobrado sua participação no PIB nos últimos anos – ainda é insuficiente para alavancar e dinamizar a atividade econômica.

PELO MENOS POR ENQUANTO !!!!