O Pão de Açucar comprou o Ponto Frio.

Heróico movimento do Pão de Açúcar neste ambiente competitivo “selvagem” que é o varejo brasileiro. Movimento na direção certa que é consolidar-se como uma importante rede diversificada capturando significativa “share of the pocket” do consumidor brasileiro. Estratégia marca registrada do Wall Mart !

A guerra de posicionamento no varejo brasileiro é bastante interessante. Há várias estratégias. Os grandes players buscam atuação  nacional e estão diversificados em vários segmentos varejistas como o Pão de Açucar/Casino, Carrefour, Wall Mart. Outros são mais focados como a gigante Casas Bahia, a Fnac, a Fast Shop. Os líderes regionais – também buscam escala na diversificação e aguardam o momento de se venderem para os players consolidadores. Montar uma rede de varejo local tem como objetivo fazer algo para vender para os grandes – quando eles chegarem. Até lá – a questão é manter-se vivo – “stay alive” como disse o Sean Connery para o seu filho – Indiana Jones.

Os grandes consolidadores são Wall Mart, Pão de Açúcar e Carrefour.

Embora o Pão de Açucar se auto-intitule o líder ou o maior varejsta nacional ele não é líder em nenhum dos segmentos onde atua :

1. No varejo de alimentos e limpeza ele disputa a liderança – metro a metro com o Carrefour. Ambos são seguidos de perto pelo lider mundial Wall Mart

2. No varejo eletro eletrônico o Pão de Açucar perde feio para a Casas Bahia em termos nacionais e – regionalmente- perde para os líderes regionais. A compra do Ponto Frio dará maior abrangência territorial de atuação mas não o conduzirá à liderança.

3. No varejo de internet o Pão de Açucar engatinha. A liderança está com o grupo B2W comandado pelo GP Investimentos.

Portanto – olhando desta forma – o Pão de Açucar não é o inimigo a ser abatido. Na verdade tem uma posição oposta : há vários inimigos seus  a serem abatidos ! Tanto nos vários segmentos de varejo como nas diversas regiões do país. Assim sendo – a competição para o  Pão de Açucar é multifacetada. Não há apenas um ou dois competidores. Ele tem que focar em várias frentes de luta ao mesmo tempo. Tanto por segmento de varejo como por região.

Todos sabemos que  a liderança do mercado brasileiro em todas as frentes será do Wall Mart. Esta rede vendeu $ 405 bilhões de dólares no ano passado (crescimento de 6% mesmo com a crise) o que é muitas vezes o total do mercado varejista brasileiro. As vendas anuais mundiais do Wall Mart representam 25% do PIB brasileiro.

Ou seja – o Wall Mart só não é líder no Brasil porque não quer. Ou porque não deixam ! Com esta ameaça – a liderança do mercado brasileiro será decidida – na verdade pelo CADE. Se optarmos por um modelo mais “desregulado” como o americano – a liderança do Wall Mart será uma questão de tempo. Caso tenhamos um ambiente regulatório mais atuante, menos liberal – como o ingles – a pizza será repartida entre vários players. Por enquanto o CADE tem inibido o crescimento do Wall Mart – que foi desincentivado a participar da concorrência para aquisição do G Barbosa – no ano passado.

A presença do “CADE inglês” no mercado varejista de lá é  firme e forte. O TESCO, maior rede inglesa com quase 30% do mercado está limitada no seu crescimento doméstico. O próprio Wall Mart não pode participar de aquisições importantes que tiveram lugar nos últimos dois anos. Os ingleses privilegiam a concorrência. Possuem um grande mercado e sabem que há espaço e rentabilidade para várias redes grandes competirem entre si e, desta forma, protegem o consumidor.

Por aqui a conversa é um pouco diferente. O mercado a ser dividido é muito pequeno. Como a operação de varejo necessita de escala – para ser viável – os reguladores ficam divididos entre permitir uma certa concentração o promover a concorrència entree os participantes. Se o órgão regulador limitar o crescimento em favor do aumento da consorrência pode criar um grande número de empresas inviáveis e não rentáveis.

Acredito que estas sejam algumas das grandes questões que passam pela cabeça dos empresários, executivos e reguladores do setor varejista nacional.

Uma curiosidade que não sei se voces já perceberam : a liderança de alguns grandes segmentos de varejo nacional é francesa !

Carrefour e Casino – supermercados

Telhanorte e Leroy Merlin – material de construção

FNAC – livros e eletro-eletrônicos