Keneth Rogoff no Estado de São Paulo – caderno de Economia – 04.06.2009
Kenneth Rogoff é professor de economia e políticas públicas na Universidade Harvard e já foi economista-chefe do FMI

“Agora que a economia global está se estabilizando, existe o perigo crescente de que os Estados Unidos e a China voltem aos seus padrões econômicos pré-crise, colocando ambos e o resto do mundo em risco.”

“Assim, a China continua gerindo um gigantesco superávit comercial e os EUA continuam gastando e tomando emprestado.”

“É fato que tanto a administração americana como a liderança chinesa fizeram algumas propostas sensatas por mudanças. Mas seriam sinceras? O secretário americano do Tesouro, Timothy Geithner, propôs uma reforma de largo alcance do sistema financeiro, e os líderes da China começam a dar passos para melhorar a rede de segurança social do país.”

“E será que os interesses exportadores costeiros da China prevalecerão novamente nas decisões sobre a política cambial às custas dos consumidores pobres do interior?”

“O presidente do banco Mundial, Robert Zoellick, advertiu corretamente que todo esse maciço estímulo fiscal temporário é uma “exultação passageira” que acabará passando sem reformas mais profundas. Como já se argumentou aqui, o fim do jogo para os salvamentos financeiros e a expansão fiscal quase certamente significará taxas de juros mais altas, impostos mais altos e, muito possivelmente, inflação.”

“O consumidor americano, cuja voracidade ajudou a alimentar o crescimento em todo o mundo por mais de uma década, parece finalmente decidido a fazer uma dieta. Além do crédito mais apertado, a queda dos preços das casas e o alto desemprego continuarão colocando um empecilho aos gastos de consumo americanos.”

“Desde o início desta década, pelo menos alguns economistas (eu inclusive) advertiram que os desequilíbrios comerciais e em conta corrente globais precisavam ser freados para reduzir a chance de uma crise financeira severa. Os EUA e a China não são os únicos responsáveis por esses desequilíbrios, mas sua relação está certamente no centro deles.”

“Antes da crise financeira global, falou-se muito em encontros de alto nível agenciados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), mas se fez muito pouco.”

“Agora, os riscos vazaram para o mundo todo. Esperemos que desta vez haja mais que conversas. Se as autoridades econômicas americanas e chinesas se renderem, porém, à tentação de voltar aos desequilíbrios pré-crise, as raízes da próxima crise crescerão como bambu. E isso não seria uma boa notícia para os Estados Unidos e a China, ou para qualquer outro país.”

Meus comentários :

A China só deixará de ser o parque fabril do mundo – no dia que seus habitantes passarem a consumir. Isto pode ser desastroso para o mundo em termos ecológicos e desustentabilidade se n4ao houver um concientização deste consumo.

Em palestra sobre a China que participei nesta semana ressaltou-se extamanete esta preocupação com a falta de consumo e mercado interno neste país. Como dizem todos os economistas – o pacote enti-crise chines envolve investimento mas não estímulo ao consumo e ao mercado interno. portanto – mais desequlíbrio e aumento de capacidade instalada do parque fabril que não tem para quem vender.

A previsão é que haja queda do preço das commodities – quando os recursos do pacote anti-crise tiverem sido investidos e o consumo mundial não tiver tido uma retomada.