Há 16 anos atrás Sadia e Perdigão sentaram-se à mesa da Brasilpar (empresa da qual eu fui sócio) na sua primeira tentativa de fusão. Conforme cita o Estado de São Paulo em 18 de maio último:

“Atolada em dívidas em 1993, a Perdigão esteve a ponto de ser desmontada. Entre as interessadas na compra estavam a Avipal, que mais tarde se tornou Eleva e foi comprada pela própria Perdigão, e a Sadia, que tinha um faturamento então cerca de três vezes superior à principal concorrente. Em 1994, a Perdigão foi vendida para um grupo de fundos de pensão de empresas estatais.”

Os Fundos de Pensão salvaram a Perdigão. E estabeleceram uma gestão profissionalizada que a conduziu à liderança ou co-liderança do mercado mundial. Hoje ela só é menor que a Tyson !

A Sadia – permaneceu familiar – e competiu cabeça a cabeça com a Perdigão. Superou durante vários anos os conflitos familiares e manteve sua rota de crescimento. Chegou a fazr uma oferta pública para ter o controle da Perdigão. Tivesse tido sucesso – os analistas estariam dizendo que seria o sucesso das empresas de controle familiar sobre as empresas profissionalizadas e com “controle difuso” e controladas por investidores profissionais. Imaginem as teorias que não seriam escritas caso a Sadia tivesse tido sucesso.

Temos vários casos de empresas bem sucedidas no mundo que são controladas por fundos de investimento, os chamados investidores profissionais qualificados. O mais conhecido deles é aquele fundo de Omaha – Berkshire Hathamay Inc !

Agora, 16 anos e algumas tentativas da Sadia o que ocorre é que a Perdigão assume o controle da Sadia, valendo praticamente 10 vezes mais que a concorrente. Que destruição de valor terrível ocorreu na Sadia  ! Vejam na tabela abaixo, extraída do Yahoo Finance, a desproporção do valor de mercado (Market Cap) entre as duas empresas.

Neste caso específico da Sadia – o controle familiar destruiu valor. Não acho que houve incompetência. Pelo contrário – houve uma competente disputa de poder entre os grupos familiares que controlam a Sadia e que desviou os gestores dos objetivos principais do negócio ( o tal do “core business”).

Todas as empresas onde haja disputa de poder – seja familiar seja entre grupos de acionistas este tipo de fragilização ocorre. Há vários casos na curta história empresarial brasileira. Empresas abertas e empresas fechadas.

É justamente para preservar valor que existem práticas de governança corporativa. Para conciliar as disputas de poder e cuidar da preservação de patrimônio. Governança Corporativa vale tanto para empresas familiares como para empresas de controle compartilhado (Itaú-Unibanco), controle difuso (Lojas Renner e Cremer) como para empresas que passam para um processo de profissionalização da sua gestão.

Governaça Corporativa não assegura sucesso empresarial. É um processo que evita destruição de valor.