Perguntado sob os efeitos da crise nos seus negócios, meu mecânico não titubeou :

– nenhum, isto aí é crise de rico ! Só perdeu dinheiro quem tinha ações.

Interessante observação ! Diferentemente das demais crises – esta tem algumas características peculiares :

a) afetou – inicialmente – os ricos e aqueles que tinham investimentos em ações !

b) a crise no setor imbiliário americano ocorreu há pelo menos um ano. Até meados de Setembro o assunto vinha sendo “administrado”. O pânico se instaurou e se globalizou no momento do caso Lehman Brothers e com a demorada resposta coordenada de todos os governos mundiais – os quais tardaram a entender a extensão e a intensidade do que estava ocorrendo;

c) a crise de confiança a s consequente escassez de crédito paralisou aleatoriamente algumas empresas que estavam ilíquidas e/ou alavancadas.  Não afetou homogeneamente empresas e setores. Como não afetou empresas (às vezes do mesmo setor !) que estavem líquidas;

d) os efeitos da crise estão demorando para chegar na base da piramide sócio econômica. O desemprego atinge desigualmente tanto os diversos setores de atividade como as empresas de um mesmo setor;

Estas características tornam esta crise única. Ela pode até ser rápida e ser bem menos dolorosa do que pensávamos no início. Esta tempo de irradiação vai depender da capacidade dos agentes econômicos de se reorganizarem e darem o tratamento adequado para os “ativos tóxicos”. No mercado financeiro este processo já ocorreu com a massiva intervenção dos governos. Em outros mercados – a reorganização dos ativos vai depender da possibilidade de precificação dos respectivos mercados em função da redução das incertezas.

Quais incertezas ? Aquelas provocadas pelas consequencias nas economias mundiais dos movimentos turbulentos do último mes.